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O Ego e as Dualidades

A redenção vem pelo restabelecimento do universal no individual e dos termos espirituais na consciência física.


Quando o conhecimento do bem e do mal, da alegria e do sofrimento, da vida e da morte tiver sido cumprido mediante a reconquista, pela alma humana, de um conhecimento superior, que identifica e reconcilia esses opostos no universal, e transforma suas divisões em imagens da Unidade divina.


Para Satchidananda, expandido em todas as coisas na comunhão mais vasta e na universalidade mais imparcial, morte, sofrimento, mal e limitação só podem ser – na inversão máxima dos termos – formas-sombras de seus luminosos opostos. Como as sentimos, essas coisas são notas de uma dissonância. Expressam separação onde deveria haver unidade, mal-entendido onde deveria haver compreensão, uma tentativa de chegar a harmonias independentes em lugar de uma adaptação de cada uma ao todo orquestral. Toda totalidade, mesmo que seja apenas uma totalidade da consciência física e não possua tudo que está em movimento além e atrás, deve ser, nesse âmbito, uma volta à harmonia e uma conciliação de opostos discordantes.


A transcendência transfigura; não reconcilia, mas antes transmuta opostos em algo que os ultrapassa e apaga suas oposições.

Contudo, devemos primeiro nos esforçar para relacionar o individuo mais uma vez com a harmonia da totalidade.


Uma tal desordem e incapacidade pode ser aceita individualmente, e é aceita por muitas almas elevadas, como uma passagem temporária ou um preço a ser pago pela entrada em uma consciência mais vasta. Mas o objetivo justo do progresso humano deve ser sempre uma reinterpretação efetiva e sintética, que possa representar a lei dessa existência mais vasta em uma nova ordem de verdades e em um trabalho mais justo e poderoso das faculdades no material de vida do universo.


A verdade não é que Deus se move em torno do ego como centro da existência e pode ser julgado pelo ego e sua visão das dualidades, mas que o Divino é ele mesmo o centro, e a experiência do individuo só encontra sua verdade verdadeira quando é conhecida nos termos do universal e do transcendente.


Para que isso seja possível, é preciso que o ego renuncie a seus pontos de vista falsos e as suas certezas falsas, que estabeleça uma relação e uma harmonia justas com as totalidades das quais faz parte e com as transcendências das quais desceu, e se abra perfeitamente a uma verdade e a uma lei que excedam suas convenções – uma verdade que será sua realização e uma lei que será sua liberação. Seu objetivo deve ser a abolição daqueles valores que são criações da visão egoística das coisas; sua coroa deve ser a transcendência da limitação, ignorância, morte, sofrimento e mal.


Não é muito fácil para a mente usual do ser humano, sempre apegada às suas associações passadas e presentes, conceber uma existência que, embora continue humana, possa, no entanto, passar pela mudança radical daquilo que agora são nossas rígidas circunstâncias.


Seu sonho de Deus e Céu é, na verdade, um sonho de sua própria perfeição; mas ele encontra, para aceitar a realização prática de seu sonho como seu objetivo último aqui, a mesma dificuldade que o Macaco ancestral encontraria, se lhe fosse pedido acreditar em si mesmo como o futuro Homem.


A imaginação do homem e suas aspirações religiosas podem mostrar-lhe esse objetivo; mas quando a razão se afirma, rejeitando a imaginação e a intuição transcendente, ele as põe de lado como uma superstição brilhante que contradiz os duros fatos do universo material. Elas se tornam, então, apenas sua visão inspirada do impossível. Tudo que é possível se restringe a um conhecimento, felicidade, bem e poder condicionados, limitados e precários.


Páginas 71/75 – A Vida Divina: O Ego e as Dualidades - Sri Aurobindo




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