• A Mãe

BANCANDO O AVESTRUZ


Pergunta: Penso que às vezes estou no ponto de ter esta experiência [o contato com o ser psíquico] mas eu sempre recaio na consciência comum. Por que?

A MÃE: Provavelmente você manteve ainda uma divisão em si mesmo. Uma parte do seu ser recusa a avançar com o restante, uma parte que se agarra a si mesma, que não quer se mover, que insiste em ser o que é. É isto o que puxa para trás.

Uma parte em você adia, bloqueia; e, em vez de obrigá-la a seguir o resto, você deixa no caminho. Você fecha seus olhos, cega a si mesmo, você não quer ver que tem este defeito, esta dificuldade, esta ignorância ou esta estupidez. Você não quer ver, porque não é muito bonito de se ver, você prefere ignorá-lo. Mas isto não deixa de existir simplesmente porque você o ignora.

Não serve a nenhum objetivo bancar o avestruz; um dia ou outro você precisa encarar isto, você tem de fazê-lo.

Senão, você vê a meta se aproximando, algo em você se move para a frente, você está prestes a tocar isto, mas você jamais o tocará se tem estes grilhões puxando-o para trás.

Chega um dia em que você terá de limpar o local; senão você se move em círculos, avança por pequenos passos até o fim de sua vida e quando chega o momento da partida você é obrigado a dizer: “Será de outra vez”. Mas ainda, se você não tivesse sabido nada, compreendido nada, tentado nada – as pessoas nascem, vivem, morrem e nascem de novo e vivem de novo e morrem de novo e isto continua indefinidamente, elas nem sequer de colocam a questão! Mas uma vez que você provou isto, teve um gosto prévio do que a vida verdadeiramente é, uma vez que você tenha descoberto a própria razão de sua existência e tentado sua realização, tal coisa não seria agradável, seria terrível.

Melhor fazer o seu trabalho enquanto você pode fazê-lo conscientemente. Este é exatamente o significado do provérbio “Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje”. Hoje, isto significa aqui, nesta vida. Pois a ocasião está aí, a oportunidade está aí e você talvez terá de esperar milhares de anos para tê-la novamente. Melhor fazer o trabalho, custe o que custar, e perder tão pouco tempo quanto possível.

A cada vez em que tem medo de olhar-se diretamente e esconde cuidadosamente de si o que o impede de avançar, você erige como se fosse uma parede no caminho; posteriormente você terá de demoli-la para poder passar.

Melhor assumir sua tarefa prontamente, olhar direto, direto na face. Não tente recobrir com açúcar a pílula amarga. Sim, é amargo, todas as fraquezas, feiúras, todas as vis coisinhas que você tem em si próprio. Elas aí estão e são muitas. Se não se forçar a abrir seus olhos a cada passo, a cada minuto, você irá sempre dar uma desculpa para si próprio, aquilo que chamamos “a compreensão mental de si próprio”, e sempre e sempre.

Ora, então, como lhe disse, você estás prestes a alcançar uma realização, prestes a tocar uma luz e a obter uma iluminação; de repente você descobre algo que o puxa para trás. Alguns, diante disso, choram, outros se lamentam e dizem: Oh! Pobre de mim! Mais uma vez a mesma coisa aconteceu!”

Estas são fraquezas ridículas. Você só tem que se olhar diretamente e dizer: “O que é esta pequena vileza, estupidez, vaidade, ignorância, má vontade que aí está, se escondendo a um canto, impedindo-me de cruzar o portal para a nova descoberta? O que existe em mim, tão pequeno, tão vil, tão empedernido que se oculta como um verme num fruto para que eu não possa vê-lo?

Se for sincero você o encontrará e o expulsará.

Publicação do Centro Internacional de Educação Sri Aurobindo, Nov de 1956, pp.79-83.

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