• Sri Aurobindo

O LUGAR DO HOMEM NA NATUREZA


A concepção do homem como um ser separado e um ser inteiramente peculiar no universo tem sido rudemente sacudida por um paciente e desinteressado exame do processo da Natureza. Ele é sem igual ou par e ocupa uma posição privilegiada sobre a terra, mas não está solitário em seu ser: toda a evolução está aí para explicar este buscador da grandeza espiritual corporificado em um frágil corpo e estreita vida e mente limitada, o qual a seu turno, por seu ser e busca, explica para si mesma a evolução terrestre. O homem, ele próprio, assume o miraculoso jogo de elétron e átomo, resume através do complexo desenvolvimento do protoplasma a vida química das coisas subvitais, aperfeiçoa o sistema nervoso original da planta na fisiologia do ser animal completado, consuma e repete rapidamente em seu crescimento embriônico a evolução passada da forma animal na perfeição humana e, uma vez nascido, ergue-se da postura animal reclinada para baixo e para a terra até a figura ereta do espírito que já contempla sua posterior evolução em direção ao céu. Todo o passado terrestre do mundo está sumarizado no homem e não somente deu a Natureza, por assim dizer, o sinal físico de que ela formou nele uma epítome de suas forças universais, mas também psicologicamente ele é, em seu ser subconsciente, uno com a mais obscura vida subanimal dela, ele contém em sua mente e natureza o animal, e ergueu-se de Todo este substrato até seu consciente ser-homem.

Não importa que alma exista no homem, ela não é um ser espiritual separado, sem conexão alguma com todo o resto da família terrestre, mas parece ter crescido de dentro dela por um abraçá-la em sua totalidade, um exceder de seu sentido por um novo poder e significado do espírito. Esta é a natureza universal do tipo homem sobre a terra, e é razoável supor que qualquer que tenha sido a história passada da alma individual, ela deve ter seguido o curso da Natureza e evolução universais. O orgulho separativo que rompe a unidade da Natureza para fazer de nós uma criação diferente, maior, não tem nenhuma garantia física, mas, descobriu-se ao contrário, é contradito por todas as evidências; e não há razão para se supor que ele tenha qualquer justificação espiritual. A história física da humanidade é o crescer, de dentro da vida subvital e animal, até o poder do ser-homem; nossa história, tal como é indicada por nossa presente natureza, a qual é o animal mais alguma coisa que o excede, deve necessariamente ter sido um crescimento, simultâneo e companheiro, sobre a mesma curva na alma da humanidade. A antiga ideia indiana que se recusou a separar a natureza do homem da Natureza universal ou o si do homem do uno si coletivo, aceitou esta consequência da sua visão. Assim, o Tantra fixa oitenta milhões de vida vegetais e animais como sendo a soma da preparação para um nascimento humano e, sem prender-nos ao número, podemos apreciar a força de sua ideia da difícil evolução-de-alma pela qual a humanidade veio ou talvez constantemente vem a ser. Somente podemos escapar desta necessidade de um passado animal pela negação de toda alma à natureza subhumana.

Mas esta negação é somente um dos cegos, apressados e presunçosos isolamentos da mente humana a qual, encerrada em sua própria prisão de autopercepção separada, se recusa a ter seu parentesco com o restante do ser natural.

Fonte: Vida, Natureza, Morte e Renascimento - Ananda Revista Educacional-Espiritual publicada pela Casa Sri Aurobindo Ano 23 nº 2 março/abril 1994.

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